quarta-feira, 9 de março de 2011

A inocência.


Vista-me  com a tua inocência pois o meu poder sobre ti me perturba. Você testa a minha honra hora após hora enquanto tento apegar-me a minha decência.
O animal que vive em mim arranha as minhas entranhas afim de devorar a tua carne.
Não posso me afastar pois injusto seria privar-te de meu afeto sincero e dedicado.
Não posso aproximar-me,tenho pavor de minha fera como o fazendeiro teme a erva daninha.Que vem após as chuvas.Fazer definhar os bons frutos.

Como poderia eu amar outra se não tu?que nem és a mais bela,mais teu rosto resplandece e meus elogios te indignam,pensas que minto e ficas corada,
como eu poderia te dizer?como te faria entender?que não é a beleza em si
mais como ela se mostra sutil-mente,afinal como poderia eu amar uma mulher 
fria e seca que apenas expressa orgulho ao mundo,escondendo a tristeza
seria como amar uma estátua de mármore que não tem sabor ou vida.


Estas coisas me atemorizam pois conquistando o seu amor ele seria uma posse
eu me sentiria como a ave de rapina sobre a presa,que dela tudo conhece
mais e tu?o que conheces de mim?além de que por acaso,seria mais vantajoso correr.
como eu consigo abafar meus uivos,esconder as minhas garras?
quando você passa por mim bem perto e posso sentir o odor reconfortante de sua pele
e olhar sua expressão singela e inocente nos seus olhos azuis,esperando algo que
eu não deveria dar-te e que não poderias pedir-me eu vejo o meu dilema 
o dilema de ser o cavalheiro ou a fera.
Apenas sei que o que é aprisionado deseja a cada dia mais e mais a própria liberdade
que o melhor dos homens pode ser sobrepujado por suas tentações.

E que o Senhor me ajude,ou me per-doe se for o caso.

Amén

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